TL;DR (Resumo Rápido)

A anamnese completa segue uma sequência fixa: identificação, queixa principal, história da doença atual, interrogatório sintomatológico, antecedentes pessoais e familiares, hábitos de vida e, por fim, o fechamento com hipóteses e orientações. Decorar essa ordem não é suficiente. O que faz a diferença na estação é conseguir conduzi-la em voz alta, com naturalidade, sem consultar um roteiro.

Anamnese completa passo a passo: roteiro para estudantes de medicina

Por Dr. Esp. Juliano RodriguesTempo de leitura: 8 minutos

1. Identificação e abertura da consulta

Antes de qualquer pergunta clínica, apresente-se, confirme o nome do paciente e estabeleça o tom da consulta.

Nome completo, idade, sexo, cor/raça referida, estado civil, ocupação e procedência. Além do dado em si, essa etapa serve para criar rapport: um cumprimento claro e uma pergunta aberta inicial ("O que trouxe o(a) senhor(a) aqui hoje?") já mostram postura profissional ao avaliador.

2. Queixa principal

Registre a queixa nas palavras do próprio paciente, de forma breve, e use-a como fio condutor do restante da anamnese.

Evite já reformular a queixa em termos técnicos nesse momento ("dor torácica há 3 dias" em vez de "aperto no peito desde anteontem"). Isso é trabalho da história da doença atual, não da queixa principal.

3. História da doença atual (HDA)

Aqui você caracteriza o sintoma principal em detalhe e investiga sintomas associados relevantes para as hipóteses em jogo.

  • Início: quando e como o sintoma começou.
  • Localização e irradiação: onde exatamente e se o sintoma se espalha.
  • Qualidade: como o paciente descreve a sensação.
  • Intensidade: em geral medida em escala de 0 a 10.
  • Duração e periodicidade: contínuo, intermitente, em crises.
  • Fatores de melhora e piora: o que alivia e o que agrava.
  • Sintomas associados: o que mais o paciente notou junto ao sintoma principal.

4. Interrogatório sintomatológico (ISDA)

Revisão rápida por sistemas para captar sintomas que o paciente não mencionou espontaneamente, mas relevantes para o diagnóstico diferencial.

Em uma estação cronometrada, o ISDA não precisa (e não deve) percorrer todos os sistemas de forma exaustiva. Direcione as perguntas para os sistemas relacionados à hipótese diagnóstica em investigação.

5. Antecedentes pessoais e familiares

  • Antecedentes patológicos: comorbidades, cirurgias prévias, internações, alergias.
  • Medicamentos em uso: nome, dose e adesão ao tratamento.
  • Antecedentes familiares: doenças relevantes em parentes de primeiro grau.

6. Hábitos de vida

Tabagismo, etilismo, atividade física, alimentação e, quando pertinente ao caso, vida sexual e uso de outras substâncias.

7. Fechamento: hipóteses e orientações

Verbalize as hipóteses diagnósticas construídas a partir da anamnese, explique a conduta ao paciente em linguagem acessível e confirme o entendimento antes de encerrar.

Esse fechamento costuma ser a etapa mais negligenciada sob pressão de tempo. É também um dos itens mais valorizados na rubrica de avaliação, justamente por ser o que o paciente mais lembra da consulta.

Da teoria à execução

Saber essa sequência de cor é o primeiro passo. Conseguir percorrê-la em voz alta, adaptando as perguntas ao caso e ao tempo disponível, é o que a estação realmente cobra.

Praticar a anamnese completa com um paciente virtual por voz permite repetir o roteiro em casos diferentes, até a sequência ficar automática e sobrar atenção mental para o raciocínio clínico em si.

Pratique a anamnese completa com pacientes virtuais

Conduza a consulta em voz alta e receba o checklist do que foi cumprido em cada etapa.

Começar a praticar agora