A anamnese completa segue uma sequência fixa: identificação, queixa principal, história da doença atual, interrogatório sintomatológico, antecedentes pessoais e familiares, hábitos de vida e, por fim, o fechamento com hipóteses e orientações. Decorar essa ordem não é suficiente. O que faz a diferença na estação é conseguir conduzi-la em voz alta, com naturalidade, sem consultar um roteiro.
Anamnese completa passo a passo: roteiro para estudantes de medicina
1. Identificação e abertura da consulta
Antes de qualquer pergunta clínica, apresente-se, confirme o nome do paciente e estabeleça o tom da consulta.
Nome completo, idade, sexo, cor/raça referida, estado civil, ocupação e procedência. Além do dado em si, essa etapa serve para criar rapport: um cumprimento claro e uma pergunta aberta inicial ("O que trouxe o(a) senhor(a) aqui hoje?") já mostram postura profissional ao avaliador.
2. Queixa principal
Registre a queixa nas palavras do próprio paciente, de forma breve, e use-a como fio condutor do restante da anamnese.
Evite já reformular a queixa em termos técnicos nesse momento ("dor torácica há 3 dias" em vez de "aperto no peito desde anteontem"). Isso é trabalho da história da doença atual, não da queixa principal.
3. História da doença atual (HDA)
Aqui você caracteriza o sintoma principal em detalhe e investiga sintomas associados relevantes para as hipóteses em jogo.
- Início: quando e como o sintoma começou.
- Localização e irradiação: onde exatamente e se o sintoma se espalha.
- Qualidade: como o paciente descreve a sensação.
- Intensidade: em geral medida em escala de 0 a 10.
- Duração e periodicidade: contínuo, intermitente, em crises.
- Fatores de melhora e piora: o que alivia e o que agrava.
- Sintomas associados: o que mais o paciente notou junto ao sintoma principal.
4. Interrogatório sintomatológico (ISDA)
Revisão rápida por sistemas para captar sintomas que o paciente não mencionou espontaneamente, mas relevantes para o diagnóstico diferencial.
Em uma estação cronometrada, o ISDA não precisa (e não deve) percorrer todos os sistemas de forma exaustiva. Direcione as perguntas para os sistemas relacionados à hipótese diagnóstica em investigação.
5. Antecedentes pessoais e familiares
- Antecedentes patológicos: comorbidades, cirurgias prévias, internações, alergias.
- Medicamentos em uso: nome, dose e adesão ao tratamento.
- Antecedentes familiares: doenças relevantes em parentes de primeiro grau.
6. Hábitos de vida
Tabagismo, etilismo, atividade física, alimentação e, quando pertinente ao caso, vida sexual e uso de outras substâncias.
7. Fechamento: hipóteses e orientações
Verbalize as hipóteses diagnósticas construídas a partir da anamnese, explique a conduta ao paciente em linguagem acessível e confirme o entendimento antes de encerrar.
Esse fechamento costuma ser a etapa mais negligenciada sob pressão de tempo. É também um dos itens mais valorizados na rubrica de avaliação, justamente por ser o que o paciente mais lembra da consulta.
Da teoria à execução
Saber essa sequência de cor é o primeiro passo. Conseguir percorrê-la em voz alta, adaptando as perguntas ao caso e ao tempo disponível, é o que a estação realmente cobra.
Praticar a anamnese completa com um paciente virtual por voz permite repetir o roteiro em casos diferentes, até a sequência ficar automática e sobrar atenção mental para o raciocínio clínico em si.
Pratique a anamnese completa com pacientes virtuais
Conduza a consulta em voz alta e receba o checklist do que foi cumprido em cada etapa.
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